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23.9.08

Lenda das Amendoeiras



Há muitos, muitos séculos viveram numa região do Algarve um príncipe cristão e uma princesa nórdica.

Durante muitos anos a felicidade reinou entre eles. Um dia, porém, o príncipe notou que a princesa entristecia de dia para dia, ao ponto de por vezes não se erguer do leito.

Sem saber que fazer, o príncipe decidiu reunir o seu conselho de Estado. Nele participaram médicos célebres, mágicos de nomeada, feiticeiros e outros homens sábios. Deliberaram até altas horas, mas nenhum conseguiu encontrar a causa de tão grande pesar.

O príncipe mandou vir actores, trovadores e bailarinos para distraírem a princesa, mas durante os espectáculos a mesma tristeza descia sobre ela.

O príncipe, receando que a sua infelicidade fosse apenas um sinal de que ela já não o amava, nem a ia visitar regularmente. Até que um dia, cheio de coragem, perguntou:
- Meu amor, já não me amas?
-Amo-te tanto como no dia em que casei contigo. Sinto-me rainha do teu povo, sou amiga dos teus amigos e admiro-os, mas as saudades da neve são imensas. No meu país a neve cai todos os anos. Aqui, o sol torna os campos verdes ou doirados, mas nunca os vejo brancos. Só tenho
saudades sem fim da neve do meu país. O Inverno aproxima-se e sei que a neve não virá.
Ela ainda o amava! ... As dúvidas transformaram-se em felicidade. Depois de muito meditar, encontrou uma solução. Mandou plantar pelos seus criados milhares de amendoeiras à volta do palácio.

A Primavera chegou. As flores das amendoeiras, pouco a pouco, começaram a desabrochar. Em breve, os campos cobriram-se de flores brancas.

Um dia em que a princesa se sentia muito abatida, o príncipe entrou nos seus aposentos e beijando-a, envolvendo-a em seus braços, murmurou:
- Querida, por mim faz um esforço e vem ver o sol que acaba de nascer. Tudo quanto a nossa vista abrange parece ouro acabado de ser lavado.

Para não o desgostar, ela levantou se e dirigiu-se para a janela. Tudo estava coberto, não com um lençol de neve mas sim com um de pequeninas flores brancas.

Pelo rosto da princesa lágrimas rolaram. O seu bem amado por ela transformara a terra castanha em terra branca de neve. Segundo a lenda, é por esta razão que no Algarve, ainda hoje, há tantas amendoeiras.
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"É muito antiga esta lenda e foi atribuída a muitas regiões. Parece que tem s suas origens mais remotas na Pérsia, pais tradicional de amendoeiras e de gentileza. No entanto, ela surge também na Turquia e em todo o Próximo Oriente. Em Espanha foi atribuída à cidade de Córdova e a Sevilha. No Garbe português foi atribuída a Silves. Um rei mulçumano, Al-Mo´tamide ou Aben Mafom, teria mandado plantar pelos montes em volta do seu castelo, amendoeiras em enorme quantidade para satisfazer os desejos de sua esposa, um cristã do Norte que morria de saudades por não ver a neve dos altos píncaros. Uma vez despontadas as flores, a princesa, vendo tudo de branco coberto, passou a sentir-se como em sua casa e não mais pensou em voltar ao seu país. Hoje, as amendoeiras invadiram toda a cerca do Castelo de Silves, transformando o Castelo, na época própria, num enorme açafate de flores brancas com leves tonalidades de róseo. A princesa, se ainda hoje vivesse, poderia brincar com as flores de amendoeira como com os flocos de neve."