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5.8.09

Como fazer um trabalho de uma página, arial, tamanho de letra 11 e espaçamento de 1,5.
É claro que não sei como se faz...
Contrariamente ao que se pensa, o sono não é simplesmente um estado em que o cérebro está a repousar, mas sim uma condição dinâmica e complicada, durante a qual o cérebro está muito activo. Há várias fases de sono: as fases 1, 2, 3, 4 e o sono REM, que se repetem em padrões característicos durante uma noite de sono. Certas fases são particularmente importantes, não só para manter a vigília durante o dia, mas também para consolidar a aprendizagem e a memória. Durante o sono ocorrem, também, vários processos metabólicos que, se forem alterados, podem afectar o equilíbrio de todo o organismo a curto, médio e, mesmo, a longo prazo. Estudos provam que quem dorme menos do que o necessário tem menor vigor físico, envelhece mais precocemente, está mais propenso a infecções, à obesidade, hipertensão e diabetes.
A doença do sono mais comum é a insónia (e é só dela que vou falar, sem menosprezar qualquer outro dos distúrbios do sono), que tem um enorme efeito negativo na qualidade de vida, como a dificuldade de concentração, maior risco de acidentes devido a fadiga, o aumento da ansiedade, depressão, hipertensão, dor crónica, sendo portanto um risco para a saúde física e mental de quem dela sofre.
A farmácia de que sou proprietária está situada no interior do país, numa zona rural sem indústria, onde a maior parte das pessoas tem uma rotina diária de levantar e deitar regida pelas horas de luz solar.
E todos os dias, no balcão da farmácia, são ouvidos desabafos sobre noites mal dormidas ou dificuldades em adormecer e são aviadas dezenas de receitas médicas onde são prescritas benzodiazepinas e, cada vez mais, indutores de sono, para tratar a insónia. Se há 10 anos eram o lorazepam e o bromazepam quem detinha a maior fatia neste grupo de medicamentos, neste momento estão a partilhá-la e a grande velocidade com os indutores de sono estazolan, brotizolan e zolpidem. A quase totalidade desses medicamentos é prescrita por médicos de saúde familiar, portanto sem competência específica para tratar os problemas do sono. E se o problema do sono não for a insónia, são essas drogas igualmente prescritas, na grande maioria dos casos.
As benzodiazepinas são eficazes tanto para adormecer, como para a manutenção do sono, mas o seu uso prolongado pode provocar uma alteração da arquitectura do sono (diminuição da fase 4 e do sono REM e aumento da fase 2), sedação durante o dia e deterioração cognitiva e psicomotora, sem esquecer os sintomas de abstinência, na descontinuação. São muito eficazes na regulação do sono, mas só deveriam ser usados por curtos períodos e acompanhados do estudo do sono de cada doente, tendo em vista a descoberta de uma terapêutica adequada.
Porém, nos casos de interioridade e de baixo poder económico da população, é difícil o acesso a especialistas nesta área, sendo por isso corrente o recurso dos doentes aos médicos de família que, por limitação de meios, têm tendência a padronizar a terapêutica.
É neste campo que os balcões das farmácias, especialmente na província e nos subúrbios urbanos, exercem pela relação de proximidade, um importante papel na informação das contra-indicações do uso das benzodiazepinas, na educação dos hábitos de sono dos doentes, bem como por vezes no encaminhamento para especialistas do estudo do sono.