Uma destas noites fui ver a Catarina dançar ao Coliseu. Fui com uma amiga. Chegamos depois da hora por isso tivemos que nos contentar com o que havia: um camarote daqueles de ladecos que não se vê nada sem uma dor de pescoço. Quando chegamos ao camarote deparamo-nos com um casal já lá dentro e ele em amena cavaqueira ao telefone. Voltei para trás e disse à menina que não ficavamos ali naquelas condições, pedi à menina que nos arranjasse outro camarote, podia ser outro qualquer menos estar ali a aturar a conversa telefónica. Ela prometeu que ía ver o que se podia arranjar. Enquanto ela foi e veio, diz-nos o homem que estava no camarote (já tinha desligado o telefone): mas vocês querem a chave de outro camarote? e nós: a chave?, não se preocupe a menina já foi tratar do assunto. Diz ele: mas qual é o vosso camarote? e nós: é o 46. E ele: ahhh o nosso é o 45, nós é que estamos mal então, ó mulher procura aí na mala os nossos bilhetes, vê-lá se não é o 45. A mulher bem procurou mas não encontrou. Entretanto aparece um homem da organização do Coliseu. Diz ele: está tudo bem? querem mudar de camarote? têm alguma queixa destes senhores? e nós: não é preciso, este casal é que está mal e já se vai embora.
Parece tudo normal? NÃO. Aquele casal estava ali no engate, ou seja comprar um camarote por 14 euros sai mais barato que estar num qualquer beco a mandar uma.
Tudo com a conivência do Coliseu.
Compreendemos depois porque é que os empregados foram todos tão solicitos connosco e porque raio é que o homem tinha a chave: ele pensou que estavamos ali, as duas mulheres, para o mesmo que eles. Quando percebeu o nosso verdadeiro interesse em VER o espéctaculo é que se prontificou a corrigir a situação e a basar dali. Qual camarote 45 qual carapuça.
Isto são os loucos de Lisboa... ou eu é que estou completamente fora!!!
Voltando ao início: a Catarina dançou bem, muito bem, demasiado bem no meio da mediocridade, triste e pobre mediocridade de paisinhos que pagam para as criancinhas andarem nos ballets, danças, hips hops, da porcaria, batem muitas palminhas e fica tudo feliz, saltitam no palco, mandam beijinhos aos pais, pagam um dinheirão pelo aluguer do Coliseu (graças a deus presta-se para tudo e qualquer merda). E vão felizes para as suas casas com as suas criancinhas tótós de tutus e muito dreds.
Acho que estou mesmo fora!
E tenho pena que a minha filha não arranje uma escola de dança de jeito. Com professores a sério, coreografia, disciplina, arte e prazer na dança.